Friday, 6 September 2019

A QUESTÃO POR DETERMINAR DA EFICIÊNCIA DO LIVRO ESCOLAR NO PANORAMA DA GRATUITIDADE | THOUGHT DARE TO BE

4 minutes |  56 seconds | 987 words

#planeta13022008 | Projeto: "Planeta 3D"
Nos primeiros dias, antes do início das aulas, um aluno , consegue apresentar um certo fascínio  pelo seu livro-escolar. Porém, à medida que o tempo passa, o-livro-escolar,  pode transformar-se num "peso" que consome  o crescimento saudável da sua estrutura óssea; ou    numa memória-má  daquilo que não conseguiu alcançar.

A gratuitidade dos manuais escolares, até ao final da escolaridade obrigatória, não pode esconder a necessidade de se aferir sobre a eficácia do livro-escolar quanto à sua contribuição para o sucesso das aprendizagens essenciais dos alunos. Ironicamente, apesar do-aluno  ser o-utilizador do livro-escolar, não  é interveniente  no processo de-escolha nem de-avaliação dos  livros-escolares que usa ao longo de doze anos de percurso escolar :(((

Com efeito, nunca se questionou sobre a contribuição que o livro-escolar tem para o-sucesso e para o-insucesso escolar. Qual o peso do livro-escolar para a eficiência do processo de aprendizagem? Será que o livro escolar consegue preencher o learning-gap  entre "aquilo"  que um  aluno não consegue  compreender em contexto de aula e "aquilo" que tem de compreender sozinho, quando estuda, para alcançar a aquisição dos conhecimentos essenciais que estão definidos?

A gratuitidade dos livros-escolares calou as vozes das famílias  que argumentam, com acerto!, contra o peso do custo dos livros-escolares sobre o orçamento familiar,  no entanto, com a modalidade da gratuitidade do livro-escolar, a problemática  do  elevado custo dos livros-escolares não deixou de existir, pelo contrário, o facto de-ser um custo suportado por Todos passou a exigir uma maior responsabilidade por parte de Todos. Neste sentido, nunca foi tão importante determinar qual a eficiência dos livros-escolares como instrumento de aprendizagem do aluno. Será que existe volatilidade quanto ao grau de contribuição do livro-escolar para o sucesso das aprendizagens de cada aluno? E, se existe, como explicar a causa dessa volatilidade? Será que o livro escolar responde à diversidade de necessidades dos alunos e ao compromisso para com a Educação Inclusiva? 

Os livros escolares são objeto de uma avaliação a montante para efeitos  de certificação-científico-pedagógica , mas não são objeto de avaliação  a jusante, i.e. os livros não são avaliados pelos alunos (utilizadores) quanto à eficácia do objeto que suporta a sua existência. Isto acontece porque o  livro-escolar é desenvolvido sob a crença epistemológica de que a sua existência é independente do modo como o-aluno se relaciona com "ele", porque é esta  a tese que prevalece na arquitetura do paradigma de instrução vigente  - raciocínio    que, certamente,  contribui para um distanciamento cada vez maior entre o-aluno e o livro-escolar como objeto do saber, nutrindo-se a ideia de que a culpa, desse distanciamento,  é da falta de  capacidade  do aluno e não da falta de capacidade do livro-escolar em se mostrar eficaz como instrumento de suporte da sua aprendizagem.

Efetivamente, se o aluno não convive com o livro-escolar é por se ter colocado, entre o aluno e o livro-escolar, um formalismo estabelecido em formas fixas que se encontram desajustadas às necessidades da época em que vivemos, formas que excluem os interesses presentes e futuros  da atual geração de alunos porque os exclui de todos os processos de decisão que influem na sua realização presente e futura: será que o livro escolar consegue ser inovador quanto à sua abordagem pedagógica? Será que um livro escolar consegue motivar o aluno para o objeto do conhecimento? Será que um livro-escolar consegue responder aos problemas de aprendizagem derivados de estilos de ensino desajustados à personalidade de cada aluno, apresentando-lhes soluções para os ultrapassar? Será que o livro-escolar   contribui para alcançar a  transdisciplinaridade e dotar os alunos de imunidade contra os desafios das sociedades modernas?

É nos momentos de silêncio, em que o aluno está sozinho com o livro-escolar (os  "momentos de estudo") que o livro-escolar tem de provar ser um recurso didático-pedagógico de apoio ao trabalho autónomo do aluno (Decreto-Lei n47/2006, Artigo 3, alínea b ) na forma clara como consegue explicar aquilo que o aluno não conseguiu compreender em aula; na forma clara como deveria orientar e motivar o aluno para ultrapassar as dificuldades (que todos tivemos como alunos); na forma clara e inovadora como deveria de partilhar técnicas de aprendizagem de sucesso (de outros alunos) e na forma clara como  deveria de contribuir  para a construção da educação inclusiva, não deixando para trás nenhum aluno.  

Trazer o livro escolar para a aula é uma obrigação do aluno,  punida com "falta-de-material", estando, por isso, incluída em um dos descritores de avaliação do aluno. Será justo colocar o livro-escolar ao  nível descartável de um material de desgaste rápido como um lápis, uma  caneta  ou um  caderno? 

Outra questão importante de se aferir é porque se mostram os "shadow-learning-books" - a modalidade de livros-escolares-complementares desenvolvidos paralelamente  para apoiar o aluno no estudo - mais eficientes do que os livros-escolares? Não deveriam os livros-escolares estar dotados do mesmo nível de eficácia, orientada para objetivos, que se mostra presente na arquitetura de desenvolvimento dos shadow-learning-books?

Assim, infere-se que i) nenhum aluno deveria de ser privado de estabelecer um relacionamento de qualidade com o seu livro-escolar; ii) o-aluno tem de ser incluído nos processos de escolha e de avaliação dos seus livros-escolares, porque estas decisões determinam o seu sucesso  académico ;  iii)  o aluno tem de desenvolver, em si,  o sentido de legado para com os seus  colegas mais novos, que terão de percorrer o mesmo caminho; e assumir a responsabilidade de produzir uma avaliação sobre a eficácia dos livros escolares que utilizou, permitindo ajustes que assegurem a equidade de oportunidades  e a educação inclusiva para todos.