Tuesday, 31 August 2021

A QUESTÃO POR DETERMINAR DA EFICIÊNCIA DO MARKETING-CIENTÍFICO-PEDAGÓGICO DO LIVRO ESCOLAR NO PANORAMA DA GRATUITIDADE PÓS-COVID19 | RETHINKING SUSTAINABLE GOALS

SÉRIE -  RETHINKING SUSTAINABLE DEVELOPMENT GOALS
5 minutes |  16 seconds | 1054 words| 1st published 06.2019 | updated 09092021

Nos primeiros dias de aulas o-aluno consegue ganhar  um certo fascínio  pela novidade do seu livro-escolar, porém, à medida que o tempo passa o-livro-escolar  pode transformar-se num peso, que consome  o crescimento saudável da  estrutura óssea do aluno,  ou!   numa memória-má  daquilo que o aluno não conseguiu alcançar. A gratuitidade dos manuais escolares, em Portugal, até ao final da escolaridade obrigatória, não pode esconder a necessidade de se aferir sobre a eficácia do livro-escolar quanto à sua contribuição para o sucesso das aprendizagens essenciais do-aluno e para alcançar a educação inclusiva e de qualidade (#ODS4), na medida de que   a problemática  do  elevado custo dos livros-escolares não deixou de existir, pelo contrário, foi um peso  transferido para o Estado, sendo, portanto, um custo agora suportado por todos.  

Em verdade se deve afirmar que  a crise da Covid-19 revelou a dimensão em que o livro-escolar falha como recurso didático-pedagógico de apoio ao trabalho autónomo do aluno,  porque, o livro-escolar, nomeadamente, em  modalidade de oferta educativa  E@D (Ensino à Distância) não reverteu   o insucesso educativo nem as desigualdades de equidade de oportunidades educativas, porque, já não o era capaz de  fazer em modalidade de ensino presencial. De notar que  é nos momentos  em que o-aluno está sozinho  (sem o professor) que o livro-escolar tem de provar ser um recurso didático-pedagógico de apoio ao trabalho autónomo do aluno (Decreto-Lei n47/2006, Artigo 3 ) na forma clara como consegue explicar aquilo que o aluno não conseguiu compreender em aula; na forma clara como deveria orientar e motivar o aluno para ultrapassar as dificuldades (que todos tivemos como aprendizes); na forma clara e inovadora como deveria de partilhar técnicas de aprendizagem de sucesso (de outros alunos) e na forma clara como  deveria de contribuir  para a construção da educação inclusiva, não deixando para trás nenhum aluno.  

Devemos, deste modo, de inverter a proposição clássica de   discutir o que produz o livro-escolar para a escola e/ou para o professor,  para questionar o que criam (e produzem) as crianças e os jovens na sua interação com o livro escolar  ao longo de doze anos de escolaridade obrigatória. Efetivamente, constata-se que apesar do-aluno  ser o-utilizador do livro-escolar, o aluno,  não  é interveniente  no processo de-escolha nem de-avaliação dos   livros-escolares que usa ao longo dos doze anos de percurso escolar obrigatório. Com efeito, nunca se questionou sobre a contribuição que o livro-escolar tem para o-sucesso,  nem para o-insucesso escolar de cada aluno. Nunca se questionou sobre qual o peso do livro-escolar para a eficiência do processo de aprendizagem; nunca se questionou se o livro escolar consegue preencher o learning-gap  entre "aquilo"  que um  aluno não consegue  compreender em contexto de aula e "aquilo" que tem de compreender quando estuda sozinho, facto que a modalidade E@D tornou evidente  de se aferir.

O livro escolar, como  produto de produção-massificada,   tem na sua génese de orientação-seleção o marketing-científico-pedagógico e não a prova, nem a evidência  científico-pedagógica, recusando prestar-se a objeto de avaliação  por parte do  aluno  quanto à eficácia do objeto que suporta a sua existência: a sua prova de contribuição para o  sucesso educativo ao longo da escolaridade obrigatória de cada aluno. Isto acontece porque o  livro-escolar é desenvolvido sob a crença epistemológica de que a sua existência é independente do modo como o-aluno se relaciona com "ele", tese pedagógica que se mostra desajustada face aos valores de progresso atuais expressos nos Decretos Lei nº54,55 (de 6 Julho 2018) e expressos no Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória (despacho 6478/2017)  facto que tem   contribuído para um distanciamento cada vez maior entre o-aluno e o livro-escolar como objeto do saber, nutrindo-se a ideia de que a culpa deste  distanciamento  é por  falta de  maturidade  do-aluno e pela sua insuficiente autonomia e autorregulação e não pela rigidez de mentalidade-editorial do livro-escolar em não se mostrar pedagogicamente eficaz para quem o utiliza, mas comercialmente frutífero. De notar que a eficiência de um livro escolar está na sua integridade pedagógico-científica em ser capaz de se relacionar com o aluno e de o auxiliar   a compreender - autonomamente - o conhecimento que tem de adquirir com o mesmo grau de exigência de cada descritor de avaliação que é utilizado pelo professor para o avaliar.

Efetivamente,  se o aluno não convive com o-livro-escolar é por ainda se colocar,  entre o-aluno e o livro-escolar, um formalismo estabelecido por normas  rígidas  que se encontram desajustadas às necessidades da época em que vivemos, normas que excluem os melhores interesses  das atuais e futuras gerações de alunos  porque, excluem os-alunos   de todos os processos de decisão que influem na sua realização presente e futura do seu sucesso académico. 

As questões mantêm-se:  será que o livro escolar consegue ser  eficaz quanto à sua abordagem pedagógica e contribuir para o sucesso escolar de todos os alunos? Será que o livro escolar consegue motivar o aluno para o objeto do conhecimento sem recorrer ao recurso da veleidade-pop-imagens? Será que um livro-escolar consegue responder aos problemas de aprendizagem derivados de estilos de ensino desajustados à personalidade de cada aluno, apresentando-lhes soluções para os ultrapassar? Será que o livro-escolar   contribui para alcançar a  interdisciplinaridade e transdisciplinaridade do conhecimento dotando os alunos de imunidade contra os desafios das sociedades modernas? Não deveria o livro escolar refletir o sentido legado, dos alunos mais velhos para com os alunos mais-novos, promovendo dicas e apontamentos dos próprios sobre como ultrapassar  dificuldades sobre as diferentes matérias de estudo?

Outra questão importante de se aferir é porque se mostram os shadow-learning-books: a modalidade de livros-escolares-complementares desenvolvidos paralelamente  para apoiar o aluno no estudo,  mais eficientes do que os livros-escolares? Não deveriam os livros-escolares estar dotados do mesmo nível de eficácia orientada para objetivos que se mostra presente na arquitetura de desenvolvimento dos shadow-learning-books? 

#ODS1 + #ODS2 + #ODS3 + #ODS4 + #ODS5 + #ODS6 + #ODS7 + #ODS8 + #ODS9 + #ODS10 + #ODS11 + #ODS12 + #ODS13 + #ODS14 + #ODS15 + #ODS16 + #ODS17 PEDIMOS DESCULPA ÀS NOVAS GERAÇÕES POR AO LONGO  DOS DOZE ANOS DE ESCOLARIDADE OBRIGATÓRIA NÃO SE SENTIREM MERECEDORES DA OPORTUNIDADE DE ESCOLHER, AVALIAR E MELHORAR OS SEUS LIVROS-ESCOLARES.