Thursday, 15 January 2026

DANTE ALIGHIERI E A NEO-DIVINA COMEDIA EUROPEIA


time-reading-barometer | 1 minutes 49 seconds | 364  words | republished
17steps@principiahumanitatis.org

a raiz do problema da insustentabilidade da governança da união europeia  não está só no-vício-da-coisa, mas  na leveza de quem a  consome . a insustentabilidade  tornou-se tristemente o estado natural da leveza do-ser união europeiaa-insustentabilidade deixou de ser uma epifania-do-desalento para ser considerada uma característica massificada  da moralidade-europeia. poder-se-ia  até  afirmar que com toda a informação. com toda a  tecnologia. e com todos os avanços científicos.  não haveria razão para haver insustentabilidade na união europeia. mas! em verdade também se pode afirmar que foram  as tecnologias e os avanços da ciência que promoveram a globalização da leveza insustentável do-ser união europeia. a questão não está na grand-oeuvre que se realizou, mas na forma ready-made-duchampiana como a política, os media, a ciência e a tecnologia apresentaram o resultado:  já mastigado e fácil de consumir. a atual divina comédia que distrai a cultura da união europeia é corrompida pela dantesca  leveza da  governança que a prostrou. por comédia, só se conhece a insustentável leveza do-ser,  alimentado por  interesses vários. o purgatório de dante, é hoje o movimento padronizado que conduz a vontade-europa-vulgaris a trabalhar  para consumir-armas e assim adormecer de barriga-cheia. hoje grita-se de barriga-cheia na união europeia, não porque se produziu melhor humanidade, mas porque se consumiu demasiada tecnocracia. a gula tecnocrática, conduziu  o progresso da união europeia a uma obesidade mental que  impede cada nação de pensar-por-si. a luxúria, conduziu o progresso da união europeia a um êxtase que se  sente, sempre que se consome o-objeto da coisa-desejo,  pelo simples prazer de ter-por-ter. ou pelo poder-de-ter o que o-outro-não-tem. ou ainda pelo medo de se vir a precisar de  ter o que  não-se-tem. nas extremidades da união europeia, surgiram a europa-vulgaris-avarenta  e a europa-vulgaris-pródiga. a primeiro agarra-se à propriedade do continente europeu como se de um direito-divino  se tratasse. a segunda desperdiça o que tem,  apelando ao mesmo direito de posse divina. a ira e a inveja manifestam-se na união europeia sempre que a-insustentável leveza da governação  é contrariada. assim na união europeia se anda e sem dormir se sonha, crendo proferir verdade: neste caso há mais culpa e mais vergonha [1].

#ODS1 + #ODS2 + #ODS3 + #ODS#4 + #ODS5 + #ODS 6 + #ODS7 + #ODS8 + #ODS9 + #ODS10 + #ODS11 + #ODS12 +#ODS13 + #ODS14 + #ODS15 #ODS16 + #ODS17 OBRIGADA, DANTE ALIGHIERI, POR, EM FLORENTINO, NOS TER LEGADO  A VERDADEIRA BÚSSOLA DA MORALIDADE- HOJE PERDIDA PELA EUROPA.

[1] in A Divina Comédia, Dante Alighieri.





O HOMEM SANTO E O PODER DA MEDITAÇÃO QUE TRANSFORMA MUNDO EM MELHOR-HUMANIDADE | RETHINK SUSTAINABLE GOALS


time-reading-barometer | 4 minutes 56 seconds | 640 words | published june 2017 | edited  17.6.2025

17steps@principiahumanitatis.org

um homem santo  decidiu descer das montanhas onde tinha ficado durante muitos anos. decidiu o homem santo visitar a aldeia que o tinha feito santo. ao chegar à aldeia o homem santo  viu  uma mulher grávida e ajoelhou-se. colocou a mão na barriga-mundo da mulher grávida e em reverência ao que sentiu, perguntou  o que significava para ela estar de esperanças. a mulher grávida respondeu que estar de esperanças era sentir o amor do coração humanidade a romper as  águas-mundo. o homem santo, num gesto de sublimado respeito, inclinou  a cabeça e deixou-se  abençoar pelas esperanças  que viviam no coração da barriga-mundo. o homem santo procurou comida numa pequena mercearia e perguntou ao dono da loja  qual era o  significado  do dinheiro . o dono da mercearia reconheceu o homem santo e ajoelhou-se aos seus pés  respondendo que o dinheiro na sua loja não contava porque a abundância vivia na qualidade de cada homem. o homem santo agradeceu  tão sábias palavras e abençoou a qualidade da abundância que este homem entregava ao mundo. pelo caminho o homem santo  encontrou um grupo de homens velhos a jogar às cartas e perguntou-lhes o que era a velhice. os homens velhos reconhecendo a santidade do homem ajoelharam-se e responderam que a velhice era saber ver as cartas-mundo. o homem santo ficou surpreendido com a força da inteligência demonstrada  e abençoou a certeza das cartas  que os homens velhos jogavam ao mundo. o homem santo continuou a caminhar e ao encontrar uma mulher com o coração-partido, perguntou-lhe o que era o amor. a mulher ajoelhou-se perante a presença do homem santo e respondeu que  o amor era fazer  crescer  flor em chão-coração-partido. o homem santo apanhou a flor que crescia ao lado da mulher  e abençoou as lágrimas  que faziam apagar o fogo-mundo. o homem santo  decidiu sentar-se a descansar quando  ao ver um homem que  carregava às costas um grande saco de pedras lhe perguntou o que era a força de um homem. o homem, ao reconhecer o homem santo, colocou o saco que carregava no chão e respondeu que a força do homem era a leveza da paz  com que carregava  as pedras-da-vontade-mundo. o homem santo levantou-se e abençoou  as pedras-da-vontade-mundo que o homem carregava às costas. o homem santo decidiu procurar um abrigo para a noite fria que se aproximava, e ao ver uma porta aberta entrou. a família que habitava a casa estava a preparar o jantar, mas ao reconhecer a santidade do homem santo todos se ajoelharam em sinal de sentido respeito. o homem santo perguntou qual era o significado de família, ao que eles responderam que a família era o calor do forno que alimentava a luz da economia-mundo. o homem santo agradeceu a refeição quente e abençoou o brilho que esta família  entregava à economia da noite mundo. ainda o dia vestia escuridão quando decidiu o homem santo  regressar às montanhas.  o homem santo pelo caminho encontrou uma mulher doente que estava a ser transportada para o hospital. o homem santo pediu que parassem.  o homem santo  segurou a mão da mulher doente e perguntou-lhe o que era a doença. a mulher doente sentiu a presença do homem santo  e respondeu que a doença era a memória de dor que vinha para ser esclarecida. o homem santo beijou as mãos da mulher doente, abençoando o sentido da cura que  ela entregava às feridas do mundo. ao chegar  às montanhas, o homem santo respirou o ar puro que já o conhecia e deixou-se abraçar pelo vento que o reconhecia. o homem santo sentou-se. fechou os olhos e meditou.  o homem santo sentiu-se inundado por uma grande felicidade porque  os homens da  sua aldeia respiravam o mesmo ar do pensar  que ele purificava. abraçavam o mesmo vento que ele ensinava e viviam ao mesmo ritmo do som da luz que o seu coração produzia.

#ODS1 + #ODS2 + #ODS3 + #ODS#4 + #ODS5 + #ODS 6 + #ODS7 + #ODS8 + #ODS9 + #ODS10 + #ODS11 + #ODS12 +#ODS13 + #ODS14 + #ODS15 #ODS16 + #ODS17   OBRIGADA A TODO O HOMEM SANTO QUE USA A MEDITAÇÃO PARA TRANSFORMAR O MUNDO EM MELHOR-HUMANIDADE. 

ODS: OBJETIVOS DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

Thursday, 8 January 2026

O PODER NÃO FALADO DO ANEL DA COLIGAÇÃO DAS VONTADES | RETHINKING SUSTAINABLE GOALS

SÉRIE - RETHINKING SUSTAINABLE DEVELOPMENT GOALS
time-reading-barometer | 1 minute 37 seconds | 210 words
17steps@principiahumanitatis.org

numa das ruas do centro de madrid parei e observei um casal de pesada idade. parei porque o tempo também parava para os observar. ele sentado apresentava-se numa cadeira de rodas. ela em pé apresentava-se atarefada com a atenção de mulher que cozinha ao forno cuidado. cuidado  que vivia na memória das ruas que ela conhecia como a palma das suas mãos. palma das mãos que no silêncio falavam das-linhas que tinham cozido o pacto do anel forjado em conto-maldição de tolkian. um anel que lhes governava a vontade. um anel que os encontrava. um anel que lhes prendia a vontade. um anel que na escuridão os aprisionava.  anel que nem sempre falava, mas que sempre mandava. ela amparava-lhe as pernas inchadas e vermelhas, fartas de carregar o fardo de uma vida dedicada ao serviço  do anel. ele adormecia e caía naquele sono de quem já pouco distinguia o dia da noite  sono que o levava para aquele lugar-nenhum que ele tinha construído longe dela. ela queixava-se dos pés que já não cabiam nos sapatos de tanto andar ao serviço do anel. queixas que a levavam para aquele lugar-nenhum que ela também tinha construído ao longo da vida, longe dele. sem ela, ele agora não tinha ninguém. sem ele, ela também não tinha ninguém. o medo da solidão assustava-os mais do que a sina da própria morte. iriam os dois alguma vez encontrar-se naquele lugar-nenhum que ambos tinham construído ao longo da vida? não, porque esse lugar-nenhum nunca existiu.


#ODS1 + #ODS2 + #ODS3 + #ODS#4 + #ODS5 + #ODS 6 + #ODS7 + #ODS8 + #ODS9 + #ODS10 + #ODS11 + #ODS12 +#ODS13 + #ODS14 + #ODS15 #ODS16 + #ODS17 PEDIMOS DESCULPA PELO PODER DO ANEL  ESTAR A  CONDUZIR A EUROPA A LUGAR NENHUM .

Wednesday, 10 December 2025

EU's MERRY SCROOGE EXPERIENCE 2025 | RETHINKING SUSTAINABLE GOALS

SÉRIE -  RETHINKING SUSTAINABLE DEVELOPMENT GOALS
time-reading-barometer | 1 minute  54 seconds |  382  words |17.11.2021




Programa #MyAvatar4PIE

Charles Dickens criou Scrooge (1842) como personagem principal do seu livro A Christmas Carol, para que a Europa nunca esqueça que o Natal é a época do ano em que é sempre possível transformar o mundo em melhor-mundo. Assim, a União Europeia deve aprender a scroogiar, para poder confrontar-se com a sua avareza-mundo. A maior avareza da União Europeia é a de Scrooge: recusar ouvir; e, por isso, necessita de ser confrontada com os seus fantasmas-do-tempo, que então lhe abrem as portas à possibilidade da-transformação.

A humanidade observa a filosofia scroogiana de Dickens e reconhece a importância de aceder à projeção holográfica das suas linhas-do-tempo — não para permanecer presa ao que “foi”, mas para assumir responsabilidade pela linha-do-tempo que está a seguir. Aceder às linhas de tempo passada, presente e futura é, efetivamente, uma experiência do campo da física quântica, que Dickens traduziu em conto de Natal, tornando-a acessível a todos.

A experiência scroogiana permite, assim, o distanciamento do observador relativamente ao argumento-vida que o consome como ator. O ator, enquanto vive o argumento, não está em condições de ser observador do tempo, sendo transportado pelo enredo e não pelo seu propósito de humanidade.

Sobre o seu livro O Conto de Natal, Charles Dickens escreveu: “I have endeavoured in this ghostly little book, to raise the ghost of an idea.” A ideia-fantasma de Dickens pretende, hoje, mostrar à União Europeia que ela tem sempre a capacidade de transformar os seus erros passados em melhor-humanidade — em um futuro mais digno, mais consciente e mais responsável para todos.

Na verdade, Dickens mostra, no Conto de Natal, que a melhor qualidade da Europa não é fazer do presente um copy-paste do passado, mas assumir, conscientemente, responsabilidade pelos problemas que criou e encontrar soluções para transformar a Europa em melhor-Europa. O Conto de Natal, de Charles Dickens, não foi escrito para distrair a humanidade, mas para transformar a humanidade em melhor-humanidade.

À União Europeia de nada vale afirmar que é Europa sem saber-ler-Dickens — isto é, sem viver a experiência transformadora da ideia-fantasma de Dickens e, conscientemente, demonstrar saber escolher a linha de tempo da-bondade (PAZ), da-genialidade (INOVAÇÃO) e da-responsabilidade (EMPREENDEDORISMO).

Wishing the European Union a merry Scrooge experience 2025!

#ODS1 + #ODS2 + #ODS3 + #ODS#4 + #ODS5 + #ODS 6 + #ODS7 + #ODS8 + #ODS9 + #ODS10 + #ODS11 + #ODS12 +#ODS13 + #ODS14 + #ODS15 #ODS16 + #ODS17 OBRIGADA  CHARLES DICKENS PELA FILOSOFIA SCROOGIANA  DA BONDADE (PAZ), DA GENIALIDADE (INOVAÇÃO) E DA RESPONSABILIDADE (EMPREENDEDORISMO).


ODS = Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (17Steps4Sustainability).



Tuesday, 9 December 2025

A ÚLTIMA VARINA DE LISBOA E A REFORMA LABORAL XXI | RETHINK SUSTAINABLE GOALS


time-reading-barometer | 2 minutes  3  seconds |  411 words | republished

conheci a última varina de lisboa de nome maria  que   carregava na alma o desejo profundo de ser mulher-do-mar.  vivia na madragoa e todos os dias fitava a foz do tejo. Ela apresentava-se  de canastra  à cabeça e apregoava palavras grossas aos homens do mar por nunca a terem deixado abraçar o mar. Ela contou-me como a sua alma lhe pesava. como a vida tinha por-Ela passado, deixando um rasto de desencanto  que agora  tapava com  trapos coloridos. trapos coloridos que Ela enrolava   ao corpo. corpo de mulher que  não tinha sido feito para trabalhar no mar, assim lhe diziam os homens do mar. Ela continuava a  falar com  o-mar porque era ali  do outro lado do rio que Ela sabia poder ter sido feliz. Ela contou-me como ainda guardava os sonhos de menina-mulher que lhe tinham sido roubados pelos barcos que partiam sem-Ela,  quando-Ela  suplicava que esperassem por-Ela. em terra Ela ganhou  o cheiro a peixe morto que se entranhou na pele,  afastando o perfume dos seus sonhos de mulher. maldição que Ela sabia ter carregado no ventre e  passado à geração de mulheres que pariu. filha  mais velha que por ser mulher não chegou a mais de pouco. filha mais nova que por ter sido  mãe aos quinze morreu ao dar à luz. neta formada que por ser mulher não ganhava para poder comprar bacalhau para o  natal.  conheci a última varina de lisboa de nome maria que descalça   gritava  ao mar do atlântico para que devolvesse a toda a mulher portuguesa o direito a ser mãe com abundância de oportunidades de realização.

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Varina  -   vendedora ambulante de peixe.

#ODS1 + #ODS2 + #ODS3 + #ODS#4 + #ODS5 + #ODS 6 + #ODS7 + #ODS8 + #ODS9 + #ODS10 + #ODS11 + #ODS12 +#ODS13 + #ODS14 + #ODS15 #ODS16 + #ODS17  PEDIMOS DESCULPA A TODAS AS MÃES PORTUGUESAS  DESCONSIDERADAS PELO ESTADO E PELA SOCIEDADE. 


ODS = Objetivo de Desenvolvimento Sustentável = SDG =

Monday, 8 December 2025

BRUCE LEE, KARL POPPER E A ARTE DE ENSINAR MELHOR HUMANIDADE | RETHINKING SUSTAINABLE GOALS


time-reading-barometer | 2 minutes 12 seconds | 443  words | Edited 13.May.2025

17steps@principiahumanitatis.org

para a humanidade, o nome "bruce-lee" é associado às artes marciais — uma arte que a humanidade observa com interesse, na medida em que a ensina a dobrar a mente à disciplina da sublimação do bem-pensar. da mesma forma, a humanidade  olha para "karl-popper" e associa-lhe a arte da filosofia —  arte que também observa  com interesse,  na medida em que a ensina a dobrar a mente à disciplina da sublimação do bem-pensar. tanto bruce-lee como karl-popper tomaram a   vida não com a necessidade de fazer-obra, mas com a missão de  transformar a vida em melhor-humanidade. sobre o processo da vida, bruce-lee ensinava: “the truth is that life is an ever going process, ever renewing and it is just meant to be lived, but not lived for. It is something that can not be squeezed into a self constructed pattern - a game of rigid control and clever manipulation, instead to be what I term a quality human being one has to be transparent real and have the courage to be what he is”. [1]; sobre a vida, karl popper ensinava: “all life is  problem solving ]. as artes marciais e as artes da filosofia aproximam-se na medida em que aplicam o esforço da concentração ao plano mental do mundo, como forma de sublimar a matéria-primitiva e a transformar em integridade de matéria-sublimada.  a humanidade não se deve  deter pela aparente complexidade de lee nem de popper, mas render-se à  extraordinária evidência do seu poder de transformação. aquilo que distancia a humanidade  da arte de  karl-popper e da arte de bruce-lee, é apenas o-esforço da concentração que popper e lee recusam a aplicar ao jogo da vida. karl-popper poderia, com um golpe de palavras, facilmente derrubar bruce-lee. bruce-lee poderia, com um golpe de mãos,   facilmente derrubar karl-popper. porém,  nenhum deles escolheu impor o seu caminho. karl-popper afirmava: “posso estar enganado e tu certo, mas, pelo esforço, podemos aproximar-nos da verdade[3] . bruce-lee afirmava: “sê água, meu amigo, sê água”.  a arte de karl-popper e a arte bruce-lee nunca se tocaram pessoalmente, mas ainda hoje tocam a  alma da humanidade. 

#ODS1 + #ODS2 + #ODS3 + #ODS4 + #ODS5 + #ODS6 + #ODS7 + #ODS8 + #ODS9 + #ODS10 + #ODS11 + #ODS12 +#ODS13 + #ODS14 + #ODS15 #ODS16 + #O DS17  OBRIGADA KARL POPPER E BRUCE LEE, PELO LEGADO DA ARTE DE ENSINAR UMA  MELHOR-HUMANIDADE.

[1] Bruce Lee podcast, #29 in my own process;
[2] "All life is problem Solving", Karl Popper, 1999; Routledge.
[3] Karl Popper, Introdução, O Mito do Contexto, Edições 70.

Sunday, 7 December 2025

A SENESCÊNCIA DO EGO-EUROPA | RETHINK SUSTAINABLE GOALS


time-reading-barometer | 3 minutes 24 seconds | 682 words | republished
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vicente dantas da cunha tinha oitenta e nove anos e vivia num quarto de lar  que dividia  com o alberto. o alberto tinha o defeito de fazer muitos-barulhos. barulhos que irritavam o vicente porque faziam-lhe lembrar dos-barulhos de mastigar comida com a boca aberta. boca que o vicente abria todos os dias para reclamar. enfermeira que respondia ao vicente:  é o seu irmão, senhor doutor! o vicente compreendia então que era doutor. nove horas da manhã. horas que o vicente conhecia porque eram horas do cheiro a pão e a ovos. cheiros  que  faziam crescer água na boca do vicente. baba limpa à manga da camisa. ovos que o vicente comia primeiro não porque gostava. mas porque tinham cor. barulhos e mais barulhos. irritação dos barulhos que faziam o vicente engolir a comida sem mastigar. com a cabeça cheia de barulhos o vicente caminhava todos os dias para a tabacaria onde tinha de comprar um postal com fotografias de animais. postal que tinha de enviar a-alguém. cabeça cheia de barulhos que não deixava saber a quem. tabacaria propriedade do antónio. antónio que não fazia barulhos. tabacaria que nesse dia tinha uma mulher que o vicente não reconheceu. o vicente pediu à mulher para falar com o antónio. a mulher respondeu qualquer coisa que o vicente não percebeu. barulhos e mais barulhos. venho cá mais tarde quando o antónio cá estiver porque ele já me conhece e sabe o que eu quero - disse o vicente. a mulher respondeu: eu também o conheço até já o deixei ir à minha casa-de-banho . o vicente ficou confuso. o vicente não se recordava de alguma vez ter pedido àquela mulher para ir à casa-de-banho. porém admitia ter sido possível. o vicente precisava de ir muitas vezes à casa-de-banho. a mulher lembrava o vicente da mariazinha que também se lembrava sempre de tudo. qualidade que o vicente se lembrava de apontar como grande-defeito. barulhos e mais barulhos. o vicente agradeceu e saiu lentamente da tabacaria sem o postal que tinha de enviar a alguém. barulhos e mais barulhos. ao chegar ao lar o vicente dirigiu-se para a biblioteca. na biblioteca o vicente viu o alberto. barulhos e mais barulhos. porque é que este homem persegue-me para todo o lado? -  questionou o vicente irritado. barulhos e mais barulhos. alberto que caiu no chão. onda de barulhos e mais barulhos. o vicente deu um salto e correu para ajudar o alberto. barulhos e mais barulhos. o alberto apertou-lhe a mão e disse: amo-te muito, meu irmão. barulhos e mais barulhos. quando a enfermeira chefe chegou o alberto tinha parado de fazer barulhos.  porque não me disse que ele era o meu irmão?! -  perguntou zangado o vicente  à enfermeira chefe. enfermeira chefe que mexia os lábios pintados em câmara lenta. lábios pintados que desenhavam feitiços em tons pastel. meu querido senhor doutor talvez a dor da perda do seu irmão esteja a ser tão grande que não o deixe lembrar-se das minhas palavras de todos os dias - respondeu a enfermeira chefe. barulhos e mais barulhos. barulhos dos pratos que quebraram o feitiço dos lábios pintados em tons pastel. barulhos e mais barulhos. barulhos dos pratos que fizeram crescer água na boca do vicente. abundância de saliva que fez o vicente esquecer a razão primeira. barulhos e mais barulhos. aperto de tristeza no peito. baba limpa à manga da camisa. barulhos e mais barulhos.


#ODS1 + #ODS2 + #ODS3 + #ODS#4 + #ODS5 + #ODS 6 + #ODS7 + #ODS8 + #ODS9 + #ODS10 + #ODS11 + #ODS12 +#ODS13 + #ODS14 + #ODS15 #ODS16 + #ODS17 PEDIMOS DESCULPA PELA SENESCÊNCIA DA UNIÃO EUROPEIA ESTAR A CONDUZIR A EUROPA PARA AS SUAS ESTAÇÕES MAIS SOMBRIAS, ONDE IRMÃOS SE DESTROEM APENAS PORQUE SE  ESQUECEM DE QUE SÃO IRMÃOS.