Monday, 28 September 2026

A MALDIÇÃO DA TELEVISÃO QUE CONDENOU PORTUGAL A UM SONO MORBOSO | RETHINKING SUSTAINABLE GOALS

SÉRIE - RETHINKING SUSTAINABLE DEVELOPMENT GOALS
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alberto da ponte d’andrade era casado. médico de profissão. tinha dois filhos. o alberto tinha saído um pouco mais cedo do hospital para comprar um pequeno televisor para a mulher que fazia anos. o alberto queria fazer a surpresa do presente à amélia. surpresa que à semelhança das surpresas anteriores trazia sempre água no bico. o alberto tinha por hábito transformar em seus os presentes que comprava para a  mulher. assim acontecera quando lhe ofereceu uma viagem ao mónaco para poder  ir  ao jogo do benfica. ou quando lhe ofereceu um telemóvel de última geração sabendo que ela não o iria saber usar. ou quando lhe  ofereceu um carro descapotável que passou  a ser ele a conduzir  porque dizia  não conseguir suportar o ciúme. a amélia ficou surpreendida com o pequeno televisor porque não era bem o presente que tinha desejado.  o alberto argumentou  ter comprado o televisor especialmente para a ela  porque não  gostava de a ver sozinha na cozinha. na verdade a amélia sabia que passava  muito tempo sozinha na cozinha com os seus pensamentos. pensamentos que a televisão servia para afastar.   o alberto dizia que a amélia não podia pensar tanto. a amélia  ficava sempre emocionada pela razão do alberto.  a amélia tinha cozinhado carne assada regada com vinho do porto acompanhada com batata assada. batata assada salpicada com flor de sal e rosmaninho. o cheiro antecipava o sabor da memória que iria ficar.  a amélia serviu o jantar de  aniversário na cozinha para estrear o presente do alberto. o noticiário da noite abria com a história de mais uma tempestade. tempestades que  a televisão mostrava aparecerem como cogumelos. cogumelos que cresciam no inverno porque a televisão garantia ainda haver árvores em portugal a destruir.  árvores que no verão desapareciam  aos montes enquanto portugal  afogado no fumo  esperava por dom sebastião. fumo que escondia o inferno  que comia tudo em portugal. inferno que pedia água. água que a televisão dizia no verão não haver por causa da praga da seca. praga da seca que no inverno morria molhada por causa das tempestades. água que aumentava as desgraças em portugal. desgraças que vinham sempre em ondas grandes pelo ecrã da televisão. a amélia pousou os talheres.  apesar da amélia ser enfermeira, e de  ter visto muita coisa feia ao longo da vida, ficou surpresa com a indiferença do marido e dos filhos  que continuavam a empurrar a comida com o olhar preso à televisão. a amélia por segundos  ponderou qual seria a imagem mais pérfida: a que assistia na televisão ou a que assistia à mesa... desconforto que a amélia afastou pois sentiu estar  a dar-lhe demasiada importância.  desconforto  que pedia um intervalo-limpa-palato da publicidade. distração da publicidade  que abriu a  hora do bolo de aniversário.  hora do bolo passada ao som dos programas da televisão. programas da televisão que  provocavam perda de paladar. perda de olfato e perda de orientação. sintomas tapados com mais bolo. bolo que enchia a barriga. barriga cheia que provoca sono a portugal. 

#ODS1+#ODS2+#ODS3+#ODS4+#ODS5+#ODS6+#ODS7+ #ODS8 + #ODS9 + #ODS10 + #ODS11  + #ODS12 + #ODS13 + #ODS14 + #ODS15 + #ODS16 + #ODS17  PEDIMOS DESCULPA ÀS NOVAS GERAÇÕES PELA MALDIÇÃO DA TELEVISÃO PORTUGUESA CONDENAR QUEM A CONSOME A UM SONO MORBOSO. 

ODS =