SÉRIE - RETHINKING SUSTAINABLE DEVELOPMENT GOALS
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numa das ruas do centro de madrid parei e observei um casal de pesada idade. parei porque o tempo também parava para os observar. ele sentado apresentava-se numa cadeira de rodas. ela em pé apresentava-se atarefada com a atenção de mulher que cozinha ao forno cuidado. cuidado que vivia na memória das ruas que ela conhecia como a palma das suas mãos. palma das mãos que no silêncio falavam das-linhas que tinham cozido o pacto do anel forjado em conto-maldição de tolkian. um anel que lhes governava a vontade. um anel que os encontrava. um anel que lhes prendia a vontade. um anel que na escuridão os aprisionava. anel que nem sempre falava, mas que sempre mandava. ela amparava-lhe as pernas inchadas e vermelhas, fartas de carregar o fardo de uma vida dedicada ao serviço do anel. ele adormecia e caía naquele sono de quem já pouco distinguia o dia da noite — sono que o levava para aquele lugar-nenhum que ele tinha construído longe dela. ela queixava-se dos pés que já não cabiam nos sapatos de tanto andar ao serviço do anel. queixas que a levavam para aquele lugar-nenhum que ela também tinha construído ao longo da vida, longe dele. sem ela, ele agora não tinha ninguém. sem ele, ela também não tinha ninguém. o medo da solidão assustava-os mais do que a sina da própria morte. iriam os dois alguma vez encontrar-se naquele lugar-nenhum que ambos tinham construído ao longo da vida? não, porque esse lugar-nenhum nunca existiu.
#ODS1 + #ODS2 + #ODS3 + #ODS#4 + #ODS5 + #ODS 6 + #ODS7 + #ODS8 + #ODS9 + #ODS10 + #ODS11 + #ODS12 +#ODS13 + #ODS14 + #ODS15 #ODS16 + #ODS17 PEDIMOS DESCULPA PELO PODER DO ANEL ESTAR A CONDUZIR A EUROPA A LUGAR NENHUM .