Monday, 22 November 2021

A DESUMANIZAÇÃO QUE ARDE SEM SE VER | RETHINKING SUSTAINABLE GOALS



SÉRIE - RETHINKING SUSTAINABLE DEVELOPMENT GOALS
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by jornal Observador, 11.18.2021

joão figueiredo tinha 80 anos.  alentejano. alentejano orgulhoso da sua natureza lenta. depois da reforma o joão figueiredo decidiu ir viver para a sua aldeia pela ocupação e sustento que lhe proporcionava. figueiredo tinha umas quantas cabeças de gado herdadas do pai e cultivava na terra o suficiente para ele, para  a mulher e  ainda sobejava para as duas filhas que viviam na cidade. com pouco mais de  duzentos e cinquenta euros de reforma era impossível sustentar vida no burgo urbano, por isso, preferia ser alentejano. depois dos afazeres da manhã o figueiredo  ia para o café do brito onde bebia sempre um  garoto e lia o jornal. hábito que prolongava até à hora do almoço.  brito, lembras-te de quando não podíamos ter uma opinião contrária daquela que vinha escrita nos jornais e daquela que era falada nas televisões? - perguntou o joão figueiredoo brito lembrava-se, como se fosse ontem. aliás, tinha várias mazelas no corpo a recordar-lhe esses tempos. os dois olharam um para o outro e viram os olhos a  humedecer. como foram duros esses tempos! - exclamou o brito, limpando o balcão.  como  nunca deixaram de ser duros os tempos que vivemos! - acrescentou o joão figueiredo, voltando a colocar os seus olhos sobre o jornal.  a verdade é que a vida nunca lhes tinha sido  facilitada. a reforma de ambos somada não chegava ao valor de um salário mínimo nacional. ambos tinham servido a pátria com o coração. joão figueiredo andou mais tempo do que o que teria desejado  na guerra do ultramar e pela pátria tinha sido obrigado a fazer coisas que nunca nenhum homem deveria ter de ser obrigado a fazer; pátria que  lhe tinha reduzido  a existência a  um fardo.  brito, viste o discurso deste tipo  da Madeira  a anular os direitos das pessoas, faz-te lembrar alguma coisa?, perguntou o figueiredo com os olhos fixados na fotografia do governador da ilha do arquipélago da Madeira. então não faz?!, respondeu o brito mostrando as cicatrizes do rosto.   joão figueiredo nunca tinha sido de afiliação partidária porque tinha as suas ideias e acreditava num país unido. o brito fechou as mesas para o almoço. o joão figueiredo regressou a casa. em casa sentou-se a observar os animais no pasto. talvez numa próxima vida escolhesse ser cordeiro, mas, até ter forças para trabalhar a terra, continuaria a defender  o caráter da Constituição Portuguesa pelo qual tanto tinha tanto  lutado - carácter baseado na dignidade da pessoa humana! na vontade popular! na construção de uma sociedade livre! justa! e solidária! para todos!!! -  gritou  o joão figueiredo a fitar a extensão firme do  horizonte do seu Alentejo

#ODS1 + #ODS2 + #ODS3 + #ODS#4 + #ODS5 + #ODS 6 + #ODS7 + #ODS8 + #ODS9 + #ODS10 + #ODS11 + #ODS12 +#ODS13 + #ODS14 + #ODS15 #ODS16 + #ODS17 PEDIMOS DESCULPA ÀS NOVAS GERAÇÕES PELOS CONSTANTES MAUS EXEMPLOS DE DESUMANIZAÇÃO   POR PARTE DO  DO PODER POLÍTICO SOBRE A SOBERANIA DO POVO PORTUGUÊS, INSTIGANDO A CONSTANTE FALTA DE SOLIDARIEDADE E A DIVISÃO ENTRE AS SUAS GENTES