Sunday, 28 November 2021

A TRANSCENDÊNCIA DA PEDAGOGIA DOS PASSOS DE PINA BAUSCH | BIGBANG THEORY TO BE

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Credits: "Pina",  by Wim Wenders, 2012
Pina Bausch foi uma das coreógrafas mais significativas do século XX.  A forma  como  utilizava a-dança, como recurso pedagógico, para ensinar a interpretar os passos-humanidade e  a forma colaborativa, como suscitava o protagonismo intelectual dos seus alunos, na investigação do tema em construção-coreografia; mostrava  como o ensinar-saber não ocorre de forma separada do modo como o aluno se relaciona com o-objeto-do-saber, elevando os fundamentos curriculares e pedagógicos das suas peças a instrumentos-de-gestão habilitados a apropriar o-aluno de um  património participativo com valor de produção da ética e da humanização do-saber (the knowing), do-sentir (the feeling), do-pensar (the thinking) e do-fazer (the doing) capaz de transformar o mundo, em melhor-mundo. 

Deste modo, na sua pedagogia, Pina Bausch ensinava a importância  do aluno estar bem dotado de competências-técnicas compreendidas como essenciais, mas também da importância do aluno aprender a arte da coreografia da transformação humana,  entendida como "a-arte-de-saber-conduzir-bem-o-saber"  para transformar a humanidade, em melhor-humanidade. Sob a mesma apropriação conceptual, Edgar Morin [1],  fala da imensurável importância da arte da   pedagogia-do-ensinar  estar nutrida do  carácter da ética,  na forma como deve de ajudar cada  aluno a desenvolver a melhor versão de si mesmo, fundamentada na clara evidência de como a  humanidade já mostrou ser  tão capaz do-melhor, como do-pior.

À luz do conhecimento de Pina Baush e de Edgar Morin - a transcendência ética da cidadania a desenvolver na sua dimensão   antropológica, cívica, nacional e humanista,  pelo património do saber-ser, saber-sentir, saber-pensar e do saber-fazer dos programas curriculares PrincipiaHumanitatisORG: #MyAvatar e #MyHub; compreende o-procedimento através do qual, sob a metodologia de projeto, o aluno desenvolve competências para a produção de  valor-para-o-bem-comum. Por "procedimento" deve-se entender a elevação dos degraus da compreensão derivado de proposições mais simples, para o entendimento de proposições mais complexas [2], pretendendo-se que o aluno de-projeto-em-projeto desenvolva a-arte de guiar "a-razão por evidência-em-evidência[3], na medida do protagonismo da sua  positividade (I am an Agency4Peace), da sua genialidade (I am an Agency4Innovation) e da sua responsabilidade (I am an  Agency4Entrepreneurship) aplicada à transformação da coregrafia-mundo, em melhor-coreografia-mundo

Neste sentido, o procedimento: produzir-valor-para-o-bem-comum exige sempre  "movimento" (aka ímpeto) face ao referencial de tempo atual   da globalização e do desenvolvimento tecnológico em aceleração. Efetivamente, pretende-se que a compreensão indutiva do aluno seja a de que  a produção de valor-para-o-bem-comum exige "movimento-ímpeto", em oposição  à "inércia-repouso"; ou seja, exige a aplicação de "força" = "o meu esforço" para transformar a posição inicial, de um determinado estado de insustentabilidade mundo (face ao referencial tempo das sociedades atuais), em um estado de sustentabilidade futura de progresso humano.  

Assim, a  valência da ética, sob a perspetiva Principia HumanitatisORG, compreende a experiência da produção do sentimento valor-bem-comum que capacita o aluno da-autonomia e da-responsabilidade necessárias para construir  a melhor  versão-humanidade, contribuindo-se para quebrar o malfadado magic-spell do ciclo  herdado  dos maus-hábitos-mundo que transformaram  em instinto-mundo!  a-maldade, a-pobreza, a-destruiçãoa-fome e a-insustentabilidade do desenvolvimento das pessoas e dos recursos do planeta. Mencione-se,  em propósito, de que a definição dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentáveis (Agenda2030/ONU) tem,  na sua fisiologia, o objetivo de erradicar os maus hábitos-mundo, pois, só através  da definição de objetivos se alcança a eficácia da gestão para a  erradicação desses mesmos maus-hábitos-mundo, sendo que os mesmos têm de estar dotados, nas fases de planeamento-produção-avaliação;  pela valência da ética, como propósito intrínseco, por forma a produzir-se o output valor-para-o-bem-comum e  conseguir-se efetivamente  a-transformação do mundo, em melhor-mundo. Infere-se, portanto, que a experiência-ética-da-produção-de-valor-para-o-bem-comum transporta a-humanidade para um cenário de potencialidades win-win, i.e.,  duplamente vantajoso,  na medida de que não só transforma na melhor versão de si  o-singular e o-local durante o processo "produção/execução";   como também  transforma o-coletivo e o-global na melhor versão de si   aquando "da-materialização-resultado-avaliação" pela eficácia do valor-para-o-bem-comum percebido por todos os agentes. 

Voltando a atenção para os passos de Pina Bausch para referenciar, em conclusão, o modo extraordinário como   transcendeu a pedagogia da singularidade da linguagem-do-saber através do  movimento-corpo-mente  traduzido pela arte  da transdisciplinaridade-coreografia-vida; arte através da qual   o corpo-mundo perde inércia  e ganha ímpeto em harmonia com o movimento capaz de  criar desenvolvimento-sustentabilidade-humanidade. Pina Bausch ensinou, sobretudo, o valor inestimável da diversidade-unidade-coreografia para a positividade (peace), genialidade (innovation) e responsabilidade (entrepreneurship) do movimento-consciência-corpo-mundo como forma da humanidade encontrar a unidade da sua diversidade, como se a cadência do movimento da-dança  fosse instrumento da continuidade da  autonomia/responsabilidade da mente (esfera da consciência) e da autonomia/responsabilidade  da  ação  (esfera do domínio do corpo), por isso, Pina Bausch defendia: dancem !dancem! dancem! – para que o mundo  encontre, na coreografia infinita da diversidade do movimento, a sua unidade. Obrigada, Pina Bausch.

[1] Global Guide of Ethics, Principles, Policies, and Practices in Balanced and Inclusive Education, ERF, 2018;
[2] “Todo o procedimento consiste na ordem e na divisão daquilo a que o olhar rigoroso do espírito se deve dirigir para encontrar uma verdade qualquer. Mas somente observamos um tal procedimento quando derivamos proposições confusas e obscuras de proposições mais simples e nos elevamos então, pelos mesmos degraus da compreensão das mais simples de todas, ao conhecimento de todas as outras".Regulae ad Directionem ingenii, Descartes (1701), citado em: Martin Heidegger, O que é uma coisa, Edições 70, pg 105;
[3] Discurso do Método, René Descartes, Edições 70.